terça-feira, 26 maio , 2026

Tecnologia espacial

Ainda no período em que se comemora o cinquentenário em que o primeiro homem pisou na lua, há muitos que continuam não acreditando nisto, e entre seus argumentos há pelo menos dois que são bastante relevantes e que justificam ser explorados neste texto, sendo eles: 1. Por que não voltamos mais para nosso satélite natural? e, 2. O que a humanidade ganhou com a corrida espacial?

As respostas são fácies, porém, podem ser bastante extensas. Deste modo, vou procurar responde-las de forma mais didática e o mais simples possível, mas fica aqui a provocação para que você continue explorando o tema.

Quanto ao retornar ou não a Lua, a verdade é que só no projeto Apollo foram 11 missões tripuladas, das quais 6 pousaram em solo lunar e lá 12 astronautas tiveram o privilégio de deixar suas marcas lá. A última destas missões foi a Apollo 17 em 1972. É verdade que (até onde se sabe) o homem não voltou mais para lá depois deste ano, mas isso é devido ao fato de que a principal intensão no final da década de 1960 era “chegar” e não necessariamente o que se faria depois, e ainda, que durante o período da “Guerra Fria” e “corrida espacial”, valia quem chegasse primeiro, e neste desafio foram os Americanos, já que na maioria dos outros foram os Russos.

Contudo, mesmo não indo pessoalmente nunca paramos de visitar e explorar nosso satélite natural, desde o final dos anos 1957, quando a sonda Luna 2 (URSS) a tocou pela primeira vez, já foram enviadas muitas outras sondas e até mesmo veículos remotos, tanto pelos EUA, quanto Rússia e China. E para os próximos anos, está previsto o retorno humano, mas desta vez financiado com dinheiro público – privado, e, é claro, as empresas envolvidas não estão interessadas em somente serem as primeiras a “tocar” o solo, e sim, explorá-lo financeiramente, inclusive. Deseja-se explorar água (onde o hidrogênio e oxigênio serviriam de combustíveis para naves), ouro, platina dentre outros materiais.

Já em relação ao segundo questionamento, para respondê-lo teremos que escolher apenas alguns dos avanços tecnológicos/produtos que fazem parte de nossas vidas e surgiram graças à corrida/exploração espacial, pois são tantos que não caberiam em uma edição inteira do Jornal, pois estima-se que só a Nasa tenha mais de 6,3 mil patentes de produtos.

Uma conquista inicial certamente foi o avanço no desenvolvido dos computadores e da eletrônica em geral, pois para poderem “caber” nas naves os computadores e demais componentes tiveram que ser “miniaturizados”, o que só foi possível com o desenvolvimento dos “CIs” Circuitos Integrados (presentes hoje em todos eletrônicos). Ainda nesta área, não só os hardwares (máquina) evoluíram, mas também os próprios sistemas e softwares de controle e de cálculos, por exemplo.

Nesta corrida, nossos engenheiros espaciais aprenderam também a “manobrar” e “estacionar” satélites, e graças a estas novas competências podemos utilizar nossos APPS com sistemas de navegação e geolocalização, pois os mesmos funcionam graças a redes de satélites que estão em órbita terrestre. São quatro os sistemas de geolocalização, onde o mais conhecido é o Navstar/GPS (Americano) com uma “constelação” atual de 24 satélites que vem sendo lançados desde 1978, e que se tornou completamente operacional em 1995, sendo que em 2000, foi liberado para uso civil geral. Há ainda o “Glonqass”, que é uma versão Russa, e o “Galileu”, da União Europeia, além do “Beidou” – Chinês, estes dois últimos em desenvolvimento.

Já na área da saúde, um exemplo são os termômetros auriculares por infravermelho, que fazem uso da mesma tecnologia que a Nasa utiliza para medir a temperatura de estrelas, também temos as próteses e implantes que são fabricados com materiais leves e resistentes, tal qual são necessários em viagens espaciais. Poderíamos colocar nesta seleção ainda o aprimoramento da tecnologia dos filtros de água, pois lá no espaço não tem como “trocá-la” conforme é consumida, e sim é necessário “reutilizá-la”.

Já na área das comunicações, se hoje conseguimos falar com o mundo todo graças aos nossos dispositivos e aplicativos conectados à internet, assistir TV por assinatura ao vivo, falar em telefones celular e até mesmo telefones fixos, e receber informativos climáticos em tempo real, isso só é possível porque existem satélites de todos os tipos, inclusive os de comunicação.

Os exemplos ainda são muitos, como a criação de placas solares para geração de energia, espumas para isolamento térmico, dos aspiradores de pó sem fio, lentes resistentes ao aranhão, espuma de poliuretano com memória (hoje presentes em colchões e travesseiros), além do aprimoramento de detectores de fumaça, de panos de flanela altamente absorventes, tecidos especiais para roupas e calçados (hoje muito utilizadas por atletas), alimentos concentrados, medicamentos, dentre milhares de outros.

Por fim, “nem tudo são flores”, a cada lançamento de satélite e ou de naves espaciais, são necessários foguetes para levá-los para o espaço, além do que, após a vida útil dos satélites e sondas, juntamente com os restos dos foguetes estes acabam se tornando “lixo espacial”. Alguns acabam retornando à terra e na maioria das vezes entram em combustão completa durante a reentrada, enquanto a maioria fica “viajando” pelo espaço a uma velocidade de até 36 mil km/h, um risco potencial de choque para a estação espacial e também para os satélites ativos. Só por curiosidade: segundo a Nasa, desde o lançamento do primeiro satélite, em 1957, o Sputnik pela URSS, estima-se que já foram ao espaço mais de quatro mil satélites.

Pais/Educadores: Aproveitem o tema e discutam com seus filhos e alunos sobre as viagens espaciais, as tecnologias desenvolvidas, o período em que tudo isso iniciou (Guerra Fria), quais foram os principais países envolvidos, e, ainda, se vocês realmente acreditam que o homem pisou na Lua.

Leia outros textos desta coluna em http://bit.ly/fernandopitt.

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